heróis não morrem
eu vi cazuza na rodoviária. ontem.
um pouco velho e magro.
sem sombras de fama e/ou rebeldia.
só alguma indignação em seus olhos.
nada de pinta. ou macha.
estava sozinho e em silêncio.
nada de angustias.
só aquela calça que não lhe caira bem.
no mais. era quase um qualquer.
ali. só eu o reconhecia.
e ele me desprezava.
eu o fixava em meu olhar.
molhado. vermelho. caído.
(só você sabe o verdadeiro motivo)
cazuza devia ir pra minas.
é a cara dele. a cara que ele está agora.
comeu misto-quente e tomou coca-cola.
levava duas malas grandes.
talvez fique por lá um mês.
eu tive que ir. ele ainda ficou lá.
levantei e não tive coragem de olhar denovo.
não sei por que.
mas fica a certeza:
heróis não morrem. nem ficam careca.
entendam como quiserem o que essa visão fez comigo.
e o que ela tem a ver com a minha saída estratégica.
bacon
todo dia tem a hora da sessão coruja.
só entende quem namora.
agora vambora.
me dê de presente o teu bis.
Escrito por Rapha-eu às 20:38
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